Gestão Financeira

Regime de caixa e regime de competência: você conhece as diferenças?

Rodrigo Kratzer

Rodrigo Kratzer

O regime de caixa e o regime de competência são métodos de análise e registro dos lançamentos de entrada e saída de valores financeiros. Para a gestão e análise de finanças, cada regime é importante e se complementa.

Por isso, entender suas particularidades significa tornar o financeiro da sua empresa ainda melhor. Conheça, então, neste artigo, os detalhes sobre o regime de caixa e competência, a diferença entre eles e os usos de cada modelo.

Regime de caixa e regime de competência: por dentro dos conceitos

Antes de analisarmos cada conceito e entendermos o que é regime de caixa e regime de competência, existe um termo muito utilizado para tratar do assunto. Estamos falando do evento contábil, também chamado de lançamento contábil. Ele se refere às movimentações (gestão de recebíveis e pagamentos) que afetam o patrimônio da empresa.

Como veremos, cada um dos regimes registra esses eventos de uma maneira diferente. A seguir explicamos tudo para você.

O que é regime de caixa?

O regime de caixa é também conhecido por fluxo de caixa. Ele é utilizado pelo financeiro para contabilizar custos, despesas, gastos e investimentos dentro do mês em que as movimentações ocorreram.

Por estar mais ligado ao fluxo de caixa, gestores costumam utilizar este regime para avaliar a situação das finanças e fazer a conciliação.

O que é regime de competência?

O regime de competência é o oposto do regime de caixa, pois registra um evento na data do fato gerador. Ou seja, no momento em que uma venda, investimento ou despesa ocorreu, pouco importando se houve efetivamente alguma entrada ou saída de dinheiro.

Dessa maneira, com o regime de competência, ao trabalhar com o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) a contabilidade consegue verificar se a empresa teve lucro ou prejuízo durante um período.

Qual a diferença entre regime de competência e regime de caixa?

Como vimos, o regime de caixa e o regime de competência têm uma importante diferença com relação ao tratamento que dão ao evento contábil. Observe que:

  • No regime de caixa o lançamento contábil é feito no momento em que ocorreu a entrada ou a saída de dinheiro;
  • No regime de competência considera-se a data em que a venda, pagamento, investimento ou a compra ocorreu.

Para esclarecer melhor a diferença entre regime de caixa e competência imagine que um cliente deveria pagar R$ 15.000,00 durante 5 meses. Todavia, ele acabou pagando a quantia total apenas no último mês.

Nessa situação, no Fluxo de Caixa (regime de caixa) o registro ocorreu da seguinte maneira:

Mês 1Mês 2Mês 3Mês 4Mês 5
    R$ 75.000,00
Já no Demonstrativo de Resultado de Exercício (regime de competência) o registro foi feito assim:

Mês 1Mês 2Mês 3Mês 4Mês 5
R$ 15.000,00R$ 15.000,00R$ 15.000,00R$ 15.000,00R$ 15.000,00

Vantagens e desvantagens de cada um dos modelos

Dentre as vantagens e desvantagens do regime de caixa e regime de competência estão:

Vantagens do regime de caixa

  • Demonstra a situação real do caixa da empresa, já que considera os pagamentos e recebimentos que efetivamente ocorreram;
  • É importante para analisar o capital de giro de um negócio e para gerenciar a liquidez.

Desvantagens do regime de caixa

  • Visão de curto prazo, isto é, do que ocorreu em um determinado momento. Isso torna difícil mensurar o resultado operacional da empresa;
  • Prejudica decisões de médio e longo prazo.

Vantagens do regime de competência

  • Fornece informações para planejamento de investimentos;
  • Auxilia na análise do modelo de negócio;
  • Demonstra a rentabilidade da empresa.

Desvantagens do regime de competência

  • Ignora a situação real do caixa da organização;
  • Pode gerar falsas expectativas de receita, já que entre o evento contábil e o pagamento de uma obrigação muito pode ocorrer.

Quando utilizar cada regime?

Entendemos o que é regime de caixa e regime de competência, bem como a diferença entre eles. Importante agora ter em mente que, como comentamos, ambos os modelos são complementares.

Comumente utiliza-se o regime de competência para medir os resultados de uma empresa. Isso ocorre, pois, além de levar em consideração vendas e despesas, ele considera também a depreciação. Vale lembrar ainda que o DRE – relatório essencial para saber se a empresa teve lucro ou prejuízo – é criado com as informações do regime de competência.

Contudo, ele pode ocultar informações importantes porque não mostra o que está acontecendo no dia a dia. Quem faz esse papel é o regime de caixa.

Por exemplo: quais clientes pagaram em dia? Como está o nível de inadimplência? Sua empresa é uma boa pagadora? Será que os atrasos ocorrem por falta de otimização no fluxo de pagamento?

A última questão é especialmente importante para quem lida com vários fornecedores. Nesse caso, a preocupação da maioria dos gestores é ganhar escala nas operações do contas a pagar.

Se essa também é uma questão importante para você, confira 5 pontos a observar a fim de escalar os pagamentos aos seus fornecedores de maneira eficiente.

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