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O que é open banking: conceito e cenário no Brasil

O que é open banking: conceito e cenário no Brasil

Fernando Nunes

Fernando Nunes

Recentemente regulamentado no Brasil pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central (BC), o open banking tem revolucionado a maneira como lidamos com serviços financeiros. Muito tem sido dito a respeito, mas ainda há dúvidas sobre o que é open banking.

Em uma tradução literal, open banking significa “banco aberto” ou “sistema financeiro aberto”. Essa abertura ao qual o nome se refere é em relação ao compartilhamento de dados entre instituições financeiras, desde que autorizado pelos clientes, por meio da integração de plataformas de tecnologia.

Neste artigo, explicamos detalhadamente como se deu essa abertura e o que o open banking traz de vantagens tanto para as empresas quanto para os usuários.

Continue a leitura e fique por dentro de como aproveitar ao máximo (e com segurança) essa tendência.

Entenda o que é open banking

O que é open banking e como ele pode ajudar na prática, empresas e usuários? 

O open banking parte da ideia de que é preciso facilitar algumas aplicações do sistema financeiro tradicional, permitindo que o usuário tenha mais liberdade para fornecer suas informações financeiras para qualquer instituição.

Para viabilizar essa liberdade, a proposta é que todos os agentes do mercado financeiro utilizem uma camada de tecnologia padronizada, que facilite a comunicação entre eles e simplifique o compartilhamento de dados dos usuários.

A partir de uma integração via API, é possível que empresas acessem os dados do usuário em diferentes instituições, tendo sido autorizado previamente, claro. Explicamos melhor sobre APIs neste post, mas para entender, uma API Open Banking reúne instruções e padrões de programação que permitem que duas (ou mais) plataformas se comuniquem.

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Graças às APIs Open Banking, o resultado tem sido, principalmente, o aumento da oferta de produtos e serviços financeiros. Para se ter uma ideia, o número de fintechs de meios de pagamento cresceu mais de 200% desde 2011, de acordo com pesquisa do Distrito.

Mas também a nova forma de utilizar estes serviços permitiu a criação de startups que utilizam essa tecnologia para desenvolver novos modelos de negócios, mais focados na experiência e na jornada do cliente e menos nos mecanismos transacionais de transferência e pagamentos.

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Vantagens do open banking

Entre as vantagens do open banking, está a de possibilitar maior competição, reduzindo a barreira que impede a criação de novos produtos e serviços. Além disso, a agilidade dos processos, a redução de custos e o aumento da autonomia também podem ser entendidos como vantagens importantes.

Já que com a autorização do cliente seus dados podem ser compartilhados, o open banking reduz toda a burocracia para quem deseja utilizar o serviço financeiro de um outro banco, por exemplo, ou solicitar empréstimo. Com isso, aumentam as possibilidades de melhores ofertas, serviços bancários melhores, taxas reduzidas e muitas outras.

Essa mudança de paradigma poderá ser responsável por outros negócios que vão oferecer taxas personalizadas para cada cliente ou mesmo contribuir para a educação financeira, por exemplo. Dessa maneira, com mais concorrência entre instituições, quem sairá ganhando serão os usuários.

O open banking é seguro?

Além de saber o que é open banking, suas possibilidades e vantagens, é preciso também conhecer alguns pontos de atenção sobre ele, principalmente em relação à segurança das informações.

Para a criação de um sistema de open banking, é indispensável dispor de um ambiente seguro para os usuários. Normas que impeçam o mau uso dos dados dos clientes e que garantam o fim do acesso a eles, quando o cliente deixar de usar algum serviço ou produto, também precisam ser estabelecidas.

É importante saber que o usuário (pessoa física ou jurídica) precisa autorizar para que seus dados sejam compartilhados com as instituições financeiras. Além disso, é preciso disponibilizar mecanismos de controle, que realmente garantam autonomia aos clientes de produtos e serviços open banking.

Saiba mais: Segurança de APIs: como garantir uma boa integração

Para o Diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damaso, o open banking tem o objetivo de empoderar o consumidor financeiro, na linha de proteção de dados, de que a informação pertence ao consumidor e cabe a ele decidir compartilhar ou não essa informação com terceiros.

“É uma iniciativa que vem sendo discutida em vários países ao redor do mundo, com escopo e dimensões diferentes. No caso brasileiro, optamos por um modelo o mais abrangente possível. Esse projeto também facilita o aumento da eficiência no âmbito do sistema financeiro, incentiva a inovação, e naturalmente aumenta a competitividade”, Otávio Damaso, Diretor de Regulação do Banco Central.

O Banco Central esclarece ainda que todas as instituições participantes do open banking devem obedecer às regras de segurança cibernética e todas as demais publicadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo BC. Há também regras que responsabilizam instituições e seus dirigentes.

A implementação do open banking no Brasil

O open banking será implementado seguindo um cronograma que vai de novembro de 2020 a outubro de 2021. Entenda cada uma das fases:

Fase 1: 30 de novembro de 2020

Apresentação dos canais de atendimento e produtos e serviços, como os relativos a contas de depósito à vista e operações de crédito.

Fase 2: 31 de maio de 2021

Compartilhamento entre instituições participantes de informações de cadastro e transações de clientes relativas aos produtos e serviços da fase 1.

Fase 3: 29 de outubro de 2021

Essa fase terá início com transações de pagamento, sendo o Pix a primeira ferramenta utilizada, posteriormente se estendendo a outros meios. Assim, os usuários conseguirão, por exemplo, realizar compras virtuais por Pix sem precisar acessar o aplicativo do banco.

Fase 4: 25 de outubro de 2021

Expansão para contemplar outros produtos, serviços e transações de clientes, como operações de câmbio, investimentos, seguros e contas salários.

Após esse período, deixarão de estar sob a posse dos bancos dados como histórico de pagamentos e perfil de investimentos de milhões de clientes.

E isso deve alterar todo o funcionamento do setor, considerando que hoje, no Brasil, as cinco maiores instituições bancárias ofertam 70% do crédito.

O papel das fintechs para o open banking

As fintechs, especialmente de meios de pagamento, têm crescido no mercado com o open banking. Finalmente, começa a ser possível a autonomia dos usuários em compartilhar seus dados e ter facilitado o acesso a serviços financeiros.

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