Tecnologia Fintech as a service: cenários, destaques e o futuro do modelo

Fintech as a service: cenários, destaques e o futuro do modelo

Guilherme Verdasca

Guilherme Verdasca

Por longos anos, serviços financeiros foram relacionados a burocracia, morosidade, inconveniência. Toda essa dificuldade era gerada por um sistema que não colocava a o cliente final  como foco. Foi com a inserção da tecnologia, especialmente por meio de startups, atuando para o usuário final e no modelo de fintech as a service (FaaS), que esse cenário começou a mudar. 

A criação destas empresas que desenvolvem tecnologia para serviços financeiros desburocratizados, trouxe inovação para o setor financeiro, que a cada dia ganha mais praticidade, segurança e transparência e foco no usuário. 

Entre os principais tipos de fintech estão empresas de:

– Pagamentos;

– Gestão Financeira;

– Empréstimo e Negociação de Dívidas;

– Crowdfunding;

– Investimentos;

– Eficiência Financeira;

– Blockchain & Bitcoin;

– Seguros.

O último levantamento do Distrito FinTech Report apontou que o Brasil já conta com 742 fintechs, 34% a mais do que o número levantado no ano anterior. Um crescimento acelerado que mostra o quanto o mercado brasileiro ansiava por serviços mais inteligentes na área de finanças, seja para pessoas físicas ou para empresas.

E outra prova disso são as mais de 60 milhões de pessoas “desbancarizadas” no Brasil que, ignoradas pelo modelo tradicional das instituições bancárias, hoje têm acesso a serviços financeiros por meio das soluções de uma fintech.

Distrito FinTech Report: confira o estudo completo sobre fintechs


Mas as razões pelas quais essas startups vêm ganhando tanto espaço no mercado não são apenas essas. A busca constante por inovações as torna ainda mais atraentes para o público: estão sempre oferecendo novos produtos e serviços personalizados, acessíveis e com novas experiências a negócios e consumidores com versatilidade surpreendente.

No mesmo caminho, ganham mercado os modelos de fintech as a service, cujo conceito é a atuação como fornecedoras de serviços para outras fintechs, otimizando seus processos. É sobre esse modelo de fintech para fintechs que vamos tratar neste artigo.

Neste conteúdo, você verá:

 

Boa leitura!



1 – O conceito de
fintech as a service (FaaS)

A proposta da fintech as a service é, basicamente, poupar as fintechs de desenvolver sozinhas diversos sistemas – aplicar testes para evitar riscos legais e regulatórios e criar uma infraestrutura em conformidade com a legislação – se podem contratar tudo isso de outra fintech, já preparada para replicar uma fórmula que conhece.

Mais do que eliminar trabalho desnecessário, a ideia de uma fintech as a service é oferecer às startups possibilidades inovadoras para seus serviços financeiros, salvando-as de sistemas baseados em provedores de bancos centrais, geralmente arcaicos, e da criação de protocolos financeiros auxiliares ao serviço principal que, muitas vezes, somente as próprias empresas sabem lidar.

Antes deste modelo surgir, essas práticas acabavam levando as fintechs a se isolarem por terem que desenvolver seus próprios processos. Mas, agora, com o crescimento das soluções de fintech para fintech, camadas de infraestrutura e serviços estão se tornando cada vez menos individualizadas. 

Por que o modelo FaaS é tão inovador e importante? 

Porque não só permite que qualquer organização seja capaz de adicionar serviços bancários à sua estratégia de negócio, de forma rápida, segura e focada no novo perfil consumidor  de hoje. Com plataformas completas e prontas para serem integradas por meio de APIs, o modelo garante agilidade no time to market sem deixar de entregar eficiência e uma experiência customizada  ao cliente final.

 

2 – Como o White label ajudou a expandir o mercado

Um dos motivos da expansão de fintech as a service são as empresas que oferecem plataformas white label, que permitem que empresas do setor financeiro ou até mesmo outros setores ofereçam serviços financeiros incorporados. 

Assim como há alguns anos as empresas tinham seus próprios data centers para armazenar dados, hoje muitas delas já migraram para o cloud computing, contratando os serviços de empresas como Amazon, Google e Microsoft. E com as fintechs o caminho é o mesmo. É possível num futuro próximo que muitos negócios deixem de desenvolver plataformas próprias, passando a contratar uma solução pronta, que ofereça exatamente o que a empresa precisa.

E o conceito de white label se encaixa perfeitamente nessa demanda, pois permite à fintech usar uma plataforma criada por outra fintech e comercializar sua tecnologia e seus serviços utilizando a própria marca. Em outras palavras, uma fintech pode customizar e personalizar a ferramenta criada por fintech.

Dessa forma, com um plataforma white label o negócio pode explorar comercialmente todo o sistema para oferecer serviços diferenciados aos seus clientes. Além disso, não precisa investir recursos no desenvolvimento interno, ganhando eficiência no processo, uma vez que adota um modelo já testado e aprovado.

3 – As fintechs a service que têm se destacado no mercado

Rapyd

A Rapyd é um exemplo de fintech as a service de grande relevância internacional, tanto que já recebeu investimentos de US$ 60 milhões. Os serviços financeiros englobam transferências bancárias locais e internacionais, carteiras eletrônicas, cartões e dinheiro em mais de 100 países, suportando 65 moedas de retenção e 170 moedas de pagamento e fazendo parceria com mais de 500 meios locais de pagamento para realizar as transações entre países diferentes.

A proposta da Rapyd é que os comerciantes facilitem as transações internacionais ao integrar os métodos de pagamento local na API e escalá-los globalmente por várias redes de pagamentos. O processo forma uma “rede de redes”, atendendo a 2,3 bilhões de pessoas em todo o mundo sem a necessidade de cartão para as transações em mais de 2 milhões de pontos de caixa eletrônico e atendimento no balcão. A Rapyd verifica a identidade do usuário e envia fundos para as carteiras eletrônicas dos usuários, usando suas opções de pagamento preferidas.

Conheça alguns IPOs em meios de pagamento:

EBANX

O EBANX é outro destaque, desta vez brasileiro, entre as iniciativas no modelo de fintech as a service. A fintech foi criada com a proposta de ser não somente uma solução de pagamento, mas oferecer acesso em um mundo cheio de fronteiras, possibilitando às pessoas a oportunidade de comprar produtos e ter serviços globais que antes seriam acessíveis apenas a uma parcela da população.

Fundada em 2012, a fintech cresceu 700 vezes. O portfólio de clientes, hoje, é formado por mais de 500 sites ativos de diversas partes do mundo, oferecendo a mais de 30 milhões de brasileiros o acesso a produtos e serviços globais. Opera em 7 países latino-americanos, com mais 2 no caminho. Além dos escritórios no Brasil, o EBANX tem escritório em Londres e tem “ebankers” espalhados pelo mundo inteiro, somando 19 nacionalidades.

Recentemente, a fintech anunciou que permitirá compras com o recém-lançado cartão virtual de débito da Caixa Econômica Federal em sites internacionais parceiros, como é o caso do e-commerce Wish.

ZenFinance

Outra iniciativa nacional é a ZenFinance. A empresa oferece crédito para os clientes dos seus clientes. A fintech também atua para startups B2C de outros segmentos, como Uber, Dafiti e iFood, oferecendo crédito customizado.

É uma prática comum entre grandes empresas, como as do setor varejista e de turismo, oferecer serviços financeiros por meio de seus bancos próprios. Sendo assim, a ZenFinance  coloca o seu conhecimento e suas soluções financeiras como intermediadora do crédito, barateando os custos de contratação desses serviços.

As empresas que contratam essa solução têm a oportunidade de oferecer mais um serviço no portfólio, terceirizando a análise de crédito e a disponibilização do dinheiro para as fintechs como um serviço.

Transfeera

A Transfeera também se posiciona como uma fintech as a service. A plataforma de gestão e processamento de pagamentos automatiza as transferências de valores de uma empresa para os seus parceiros, realizando as operações em lote, oferecendo também uma solução de validação de dados bancários, para evitar as falhas nas transações com dados incorretos. 

Entre as vantagens da automação estão o ganho de tempo e produtividade das equipes, especialmente as do setor de contas a pagar, mais eficiência e segurança nas operações e redução de custos com taxas bancárias, erros de processamento e suporte aos clientes. Já a validação de dados bancários checa se as informações do beneficiário existem e estão corretas, ajudando a evitar fraudes, perdas e atrasos nos pagamentos aos parceiros.

Com clientes como iFood, Rappi, PayGo, Vakinha, Ebanx, Paggue, Unilever, Kimberly-Clark, Whirpool e General Mills, a plataforma já movimentou mais de R$ 1 bilhão em transações financeiras.

 


A fintech registrou um crescimento de 30% ao mês no primeiro trimestre de 2020, em comparação com os 10% ao mês observados em 2019. Com atuais 150 clientes e um time de 18 pessoas, a meta é chegar a 400 clientes e um time de 50 pessoas até o fim do ano e atingir um crescimento de 250%, de acordo com Guilherme Verdasca, CEO da Transfeera. A empresa já realizou 1.9 bilhão de transferências bancárias e liquidou mais de 76 mil boletos, chegando a marca de 40 mil transações bancárias em um único dia, no mês de abril.

 

“Estamos conversando com fundos para uma rodada de captação que vai nos apoiar no processo de homologação junto ao Banco Central, permitindo assim que a empresa possa se transformar de uma fintech as a service (FaaS) em uma plataforma de banking as a service (BaaS), oferecendo soluções ainda mais inovadoras e pioneiras no mercado financeiro”. 

Guilherme Verdasca, CEO da Transfeera

 

Em relação a atingir novos mercados e, consequentemente novos patamares, a Transfeera aposta na internacionalização. Durante um processo de capacitação que participou em 2019, na segunda turma do programa de aceleração da Visa, a fintech decidiu dar os primeiros passos rumo aos negócios fora do país.

Leia a matéria do Pequenas Empresas & Grandes Negócios sobre a Transfeera:

“Fintech para fintechs” automatiza e reduz taxas de pagamento para negócios


4 – O futuro do modelo de fintech as a service

Como vimos, somente no Brasil, atuam quase 750 fintechs, dentre as quais se destacam aquelas que oferecem serviços financeiros para outras fintechs, no modelo de fintech as a service

Seguindo este contexto de ampliação de opções integradas por API, a tendência é de que mais empresas, e de quaisquer segmentos, passem a oferecer algum tipo de serviço financeiro. Com as facilidades proporcionadas por uma fintech as a service, amplia-se a possibilidade de incrementar soluções e melhor atender clientes, retê-los e gerar mais receita.

Angela Strange, sócia da investidora americana Andreessen Horowitz – a16z – diz que toda empresa poderá ser uma empresa fintech. Ela falou sobre o tema no a16z Summit. Veja aqui a palestra:

Do ponto de vista dos consumidores finais, com mais serviços financeiros sendo criados, mais fácil e eficiente se torna sua experiência de pagamento, crédito ou contratação de seguros e outros produtos. Já as instituições financeiras existentes podem finalmente ser capazes de substituir alguns de seus sistemas legados e de gastar menos em manutenção. Além disso, elas podem lançar novos produtos mais rapidamente em parceria com algumas dessas startups.

Esse é o cenário da próxima geração para serviços financeiros: um ambiente em que bancos e outras empresas financeiras não se dedicam mais somente à fabricação e entrega de produtos, mas à construção de um estilo de vida.

Selecionamos dois conteúdos interessantes sobre os serviços financeiros de próxima geração:

Next generation financial services: technology and disruption

– Futuro das fintechs: veja o que esperar do mercado financeiro brasileiro

No caso da Transfeera, são mais de um milhão de transferências de dinheiro realizadas sem falhas. Um avanço para tantas empresas que realizam pagamentos em lote, além de terem seus processos mais organizados e centralizados, permitindo uma gestão de pagamentos eficiente e segura.

Saiba mais sobre a solução da Transfeera e como ela pode ser útil para a sua empresa.