O ano era 2016. Na China, o Alibaba, um dos maiores conglomerados de tecnologia e comércio eletrônico do mundo, começou a realizar transmissões de vendas ao vivo dentro da Taobao, sua principal plataforma de e-commerce. A proposta era simples: unir interação em tempo real e compra imediata em uma única experiência. Assim surgia o live commerce.

De lá para cá, o formato se popularizou e ganhou o mundo, chegando também ao Brasil. Embora as transmissões de vendas ao vivo ainda estejam em fase de consolidação por aqui, o potencial é claro. O país já conta com uma base sólida de consumo digital, com mais de 90 milhões de compradores online, e uma forte cultura de compras pelo celular.

No entanto, para empresas que desejam adotar esse modelo, não basta apenas estruturar a transmissão. É fundamental garantir uma experiência de compra fluida. A seguir, veja como organizar pagamentos em tempo real no live commerce e evitar fricção, abandono de carrinho e falhas durante as lives de venda.

O que é live commerce?

Live commerce (ou live shopping) é uma estratégia que combina vendas, transmissão online e compra integrada. Em português, o termo costuma aparecer como vendas ao vivo.

Diferentemente do e-commerce tradicional, em que o comprador navega sozinho no site ou aplicativo, no live commerce a “navegação” é mediada por um apresentador. Esse papel pode ser exercido por um influenciador, um especialista ou pelo próprio dono da marca, que demonstra produtos, responde dúvidas ao vivo e incentiva a decisão de compra naquele momento.

Na prática, o consumidor assiste, interage e compra sem sair da transmissão, o que reduz etapas no funil, aumenta o engajamento e acelera a conversão.

Quais os benefícios do live commerce?

É comum associarmos o live commerce ao varejo, já que grandes marcas como Magalu, Americanas e Casas Bahia utilizam as transmissões ao vivo para apresentar ofertas, lançar produtos e impulsionar as vendas.

Também é frequente vermos marcas menores adotando a estratégia para vender mais, especialmente no segmento de moda e vestuário, onde a apresentação ao vivo faz toda a diferença. Contudo, destacamos que esse formato de vendas pode ser também muito bem aproveitado pelo B2B.

Nesse caso, a empresa oferece aos clientes uma demonstração em tempo real de seus produtos/serviços e torna o processo de venda mais consultivo.

Mas afinal, por que o live commerce é benéfico? A resposta pode ser resumida em uma frase: a interação em tempo real aproxima um negócio virtual de seu público, aprimora o relacionamento, gera confiança e aumenta o engajamento.

O livestream shopping (mais um termo para live commerce) também traz outras vantagens, como:

  • Resgata a experiência da compra física no ambiente digital, ao aproximar o consumidor da marca por meio da interação humana;
  • Reintroduz elementos perdidos no e-commerce tradicional, como a interação com um vendedor, a demonstração do produto e o esclarecimento de dúvidas em tempo real;
  • Promove contato com pessoas reais, permitindo que o público assista à apresentação do produto enquanto interage diretamente com quem está conduzindo a live;
  • Ativa o efeito FOMO (fear of missing out), ao explorar o medo de perder uma oportunidade exclusiva;
  • Cria senso de urgência, com ofertas e condições válidas apenas durante a transmissão ou por tempo limitado;
  • E estimula decisões de compra mais rápidas, impactando diretamente o aumento das vendas.

Por que o pagamento é o maior gargalo do live commerce

Geralmente, empresas que adotam o live commerce se preocupam com a plataforma adotada para a transmissão, bem como em garantir uma ótima conexão com a internet.

No entanto, apesar de esses serem pontos extremamente importantes, o sucesso da estratégia depende também da experiência de pagamento. Por exemplo, imagine a decepção de alguém que assiste à live, mas na hora de comprar encontra redirecionamentos excessivos, páginas lentas, formulários longos ou a falta de confirmação imediata do pagamento.

Combinação clara para quebrar o impulso de compra, concorda?

Quando o ambiente é ao vivo e a decisão acontece no calor do momento, qualquer fricção aumenta significativamente as chances de abandono.

Vale lembrar ainda que, geralmente, o live commerce costuma gerar picos concentrados de transações em um curto espaço de tempo. Uma estrutura de pagamentos que não está preparada para lidar com um volume simultâneo pode gerar instabilidade e perda direta de vendas.

Por isso, no live commerce a etapa de pagamentos deixa de ser apenas a parte final da jornada para se tornar um dos principais diferenciais da estratégia de vendas ao vivo.

Quais meios de pagamento fazem sentido para live commerce?

Existe uma regra no live commerce: quanto mais simples, rápido e integrado for o pagamento, maior é a chance de conversão.

Se hoje formos analisar os meios de pagamento existentes, no Brasil o Pix é o que está mais alinhado ao livestream shopping. Além de ser o método mais utilizado pelos brasileiros, o Pix parte do princípio da instantaneidade, com a compra sendo concluída em poucos segundos, sem redirecionamentos complexos ou diversos campos para preenchimento.

Outro ponto fundamental é a confirmação quase imediata do pagamento. Em uma jornada de compras ao vivo, o consumidor não quer esperar muito tempo pela aprovação da transação.

Já para o vendedor, quanto mais rápida e confiável for essa confirmação, maior é a capacidade de acompanhar as vendas em tempo real, liberar pedidos, gerenciar estoque e manter a comunicação alinhada durante a live.

Além do Pix, os links de pagamento funcionam bem em lives, pois permitem que o vendedor compartilhe uma URL no chat ou na própria descrição da apresentação, facilitando o acesso à compra.

O principal cuidado nesse caso é garantir uma experiência fluida, pensada para dispositivos móveis (mobile-first) e com confirmação instantânea. Caso contrário, os links podem se tornar um obstáculo à conversão.

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Pagamentos em tempo real: o que precisa funcionar sem falhas

Os pagamentos em tempo real são a base do live commerce, por isso o Pix ganha destaque. Para que o modelo de vendas ao vivo funcione e traga resultados, os seguintes pontos não podem ser deixados de fora:

Velocidade de confirmação

Em um ambiente de compras ao vivo tudo acontece muito rápido. Por esse motivo, para quem compra a lógica deve ser a de “pagou, confirmou”.

Em outras palavras, adotar o live commerce não significa preocupar-se apenas com a conversão. O cliente precisa ter certeza de que sua compra foi efetuada e que a transação foi concluída com sucesso, isto é, a estrutura de pagamentos deve ser capaz de emitir alertas em tempo real.

Material API Pix

Experiência simples para quem compra pelo celular

O comércio pelas redes sociais – também conhecido como social commerce – é, em grande parte, mobile-first por natureza.

Como as lives acontecem em plataformas que o consumidor já acessa pelo celular, o pagamento precisa ser simples e intuitivo. Uma tela que não carrega corretamente, formulários longos, necessidade de alternar entre aplicativos ou excesso de cliques aumentam significativamente o risco de desistência de compra.

Por isso, lembre-se sempre que:

Em uma transmissão ao vivo, o pagamento precisa acompanhar o ritmo da interação, e não a interromper. Quanto menos esforço for exigido para concluir a compra, maior é a chance de conversão.

Conciliação automática para quem vende

Imagine que em uma live de vendas o seu financeiro precise fazer conferência manual. Além de resultar em atrasos na liberação de pedidos, o processo pode ter erros.

Quando há conciliação automática, assim que uma transação é confirmada, cada pagamento é vinculado ao pedido correspondente. Dessa maneira, o sistema identifica automaticamente quem pagou, libera pedidos sem intervenção manual e atualiza o status em tempo real.

Como estruturar pagamentos para live commerce sem fricção

No live commerce o pagamento faz parte da experiência. Mas para que essa experiência seja percebida como positiva pelos clientes, ela deve ser invisível para quem compra.

Um pagamento invisível é aquele que não exige esforço cognitivo do consumidor. Isso significa que o processo de pagamento deve acontecer de forma natural, rápida e sem interrupções, acompanhando o ritmo da live e da decisão de compra.

Para colocar essa estrutura em prática, é essencial contar com:

Infraestrutura de pagamentos preparada para picos

Lives de vendas costumam concentrar um alto volume de acessos e transações em um curto espaço de tempo. E mais: simultaneamente.

Esse é o motivo pelo qual a infraestrutura de pagamentos deve ser desenhada para operar em cenários de alta concorrência, sem perda de performance. Isso inclui capacidade de processamento, estabilidade do sistema e mecanismos que garantam a confirmação dos pagamentos em tempo real, mesmo sob alta demanda.

Integração via API

A qualidade da integração de pagamentos faz toda a diferença na fluidez da jornada de pagamento no live commerce. No contexto de transmissões ao vivo, em que dezenas ou centenas de pagamentos podem ser gerados em questão de minutos, qualquer atraso na atualização de status ou na associação entre pagamento e pedido compromete a experiência e a confiança do cliente.

Por isso, a integração por APIs é a escolha mais segura para operações de alta performance. Uma API de pagamentos atua como uma ponte automática e padronizada entre o sistema do vendedor, as instituições financeiras e os provedores de pagamento. Os benefícios em utilizar essa tecnologia incluem:

  • Processamentos automatizados em tempo real: a API captura, valida e reconcilia cada pagamento instantaneamente, eliminando a necessidade de conferências manuais.
  • Escalabilidade sem esforço manual: os picos de transação não sobrecarregam times ou processos humanos, pois o sistema responde conforme projetado, mantendo desempenho mesmo sob carga elevada.
  • Feedback em tempo real: notificações automáticas via eventos (como webhooks) permitem que o sistema registre status de pagamentos imediatamente após a confirmação, liberando pedidos, atualizando interfaces e acionando fluxos posteriores sem latência.

Importante: arquiteturas modernas de integração de pagamentos combinam APIs com padrões como fallback para cenários inesperados (caso uma rota não responda) e SLAs de comunicação claros, garantindo que os fluxos funcionem de forma resiliente e previsível mesmo quando ocorrem picos significativos de acesso.

Saiba mais em “Arquitetura de integração de pagamentos escalável: um guia para PMs e Tech Leads”.

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Boas práticas para escalar lives de venda

Focando na etapa de pagamentos, compartilhamos quatro boas práticas para escalar lives de vendas:

  1. Adote arquiteturas com confirmações instantâneas e notificações assíncronos, como webhooks, que são mais resilientes e adequadas a cenários de alta simultaneidade do que fluxos baseados em verificações manuais ou consultas periódicas.
  2. Simule altos volumes de transação para identificar gargalos técnicos, limites de infraestrutura e possíveis pontos de falha.
  3. Automatize conciliação e atualização de status. Lembre-se que quanto menos dependência de intervenção humana, menor o risco de erro e maior a capacidade de escalar.
  4. Tenha um sistema de notificações/alertas para acompanhar o desempenho da live enquanto ela acontece, facilitando ajustes rápidos e decisões baseadas em dados.

O papel do Pix no futuro do live commerce no Brasil

As transmissões de vendas ao vivo impulsionam decisões rápidas – seja a compra imediata de um produto, seja o início de uma conversa com um especialista para aprofundar informações antes da conversão. Em ambos os casos, o tempo é um fator crítico.

Sobre a decisão de compra, quando ela acontece em tempo real é obrigação da empresa que está realizando a live oferecer um meio de pagamento igualmente rápido.

Como vimos ao longo deste artigo, o Pix se encaixa perfeitamente nesse contexto. Instantâneo, amplamente adotado e já incorporado à rotina do consumidor brasileiro, ele elimina etapas desnecessárias e reduz fricções no momento mais sensível da jornada.

Embora ainda não exista uma projeção sobre a participação do Pix especificamente no live commerce, sua lógica de processamento em tempo real o posiciona como o meio mais aderente a esse modelo de vendas.

À medida que o live commerce amadurece no Brasil, a tendência é que o método de pagamento deixe de ser apenas uma opção e passe a ser um elemento central da experiência de compra ao vivo.

Esse movimento é reforçado pela evolução contínua do ecossistema Pix, conduzida pelo Banco Central do Brasil. Um exemplo é o Pix Automático, funcionalidade criada para atender modelos de pagamento recorrente.

Live commerce exige pagamentos tão rápidos quanto a decisão de compra

Como vimos, o sucesso do live commerce depende de uma estrutura de pagamentos em tempo real, preparada para picos, integrada via APIs e com conciliação automática. Nesse contexto, soluções manuais dão lugar a arquiteturas modernas, baseadas em eventos, confirmações instantâneas e sincronização entre pagamento e pedido.

É aí que entram plataformas como a Transfeera, que oferecem uma infraestrutura de pagamentos via API, preparada para processar Pix e links de pagamento em tempo real, gerar QR Codes estáticos ou dinâmicos, emitir notificações instantâneas e automatizar a conciliação financeira.

Conheça a plataforma da Transfeera e veja como operar sem fricção nos bastidores da sua live.

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